Diana Moreira, Portugal
Por que escolheste tornar-te designer?
Desde pequena que sentia curiosidade em perceber os objetos à minha volta. Inspirada pelo meu pai, lembro-me de o ver a construir coisas indefinidas, que no final assumiam sempre uma função clara.
O design de produto atraiu-me pela capacidade de unir estética, funcionalidade e empatia. Gosto da ideia de que, no final, tudo converge para soluções que transformam vidas, influenciam comportamentos e até sentimentos. E é isto que me move enquanto designer, esta resposta humana e sensível que impacta.
Onde encontras inspiração? (para desenhar a cadeira do concurso)
Inspiro-me muito na natureza, especialmente em formas fluidas e orgânicas. Para a Aura, quis refletir esta harmonia natural. Pensada para ter uma presença marcante, visualmente convidativa e delicada ao toque, despertando curiosidade. Tal como na natureza, onde forma e função coexistem em perfeita harmonia, traduzi esta lógica no design, criando uma cadeira que acolhe o utilizador com naturalidade e fluidez.
Qual é o teu processo criativo?
Tenho um interesse profundo pela natureza e pela biométrica, pelas formas orgânicas, soluções estruturais inteligentes e pela forma como tudo nela une função e estética de forma harmoniosa.
O meu processo criativo nasce da observação e da investigação do contexto, apoio muito o design centrado no utilizador. Gosto de perceber o ambiente, identificar necessidades ou desejos e deixar que as ideias surjam como respostas intuitivas mas sempre com uma validação posterior.
Sempre que possível, procuro a opinião do público-alvo, pois acrescenta perspectivas valiosas ao processo.
Acredito que o design deve ter significado e intenção. Por isso, cada projeto é também um exercício de empatia, de me colocar no lugar do outro e imaginar como cada peça será vivida.
Qual foi o impacto de vencer o concurso ESAD?
Vencer este concurso foi um enorme incentivo e uma validação do meu esforço.
Com a Aura, tive a oportunidade de acompanhar todas as fases do projeto, desde o conceito à produção, passando por feiras como a Salone del Mobile Milano, onde estive presente e recebi feedback valioso. Foi um verdadeiro marco na minha jornada como designer que reforçou o meu entusiasmo pelo mobiliário.
Ao desenhar uma cadeira, qual achas que é a característica mais importante?
No meu ponto de vista, a ergonomia e o enquadramento no ambiente são as características mais importantes numa cadeira. No caso da Aura, o equilíbrio entre conforto e estilo foi a prioridade, quis que envolvesse o utilizador física e emocionalmente. É também essencial uma estética coerente com o ambiente onde a peça vai ser inserida. É também importante antecipar cenários de uso exigentes, para garantir estabilidade, resistência e prolongar o ciclo de vida da peça.
Por que achas que é importante para os estudantes visitarem as fábricas dos fabricantes?
Acima de tudo porque nos aproxima da realidade da produção. Ver de perto os materiais, as máquinas, os processos e as pessoas envolvidas transforma a nossa visão do design, e faz-nos ver que afinal nem tudo é possível, muitas vezes sendo necessário chegar a consensos. É crucial entender as limitações técnicas e adaptar o projeto quando necessário. Esta proximidade contribui para designers mais conscientes e projetos melhor desenvolvidos.
O que dirias que será o futuro do design? Ou a próxima grande coisa?
Acredito que o design terá responsabilidade crescente, tanto ambiental quanto social. Vejo a tecnologia como uma aliada, especialmente ferramentas como a inteligência artificial, que podem otimizar processos. O importante é saber onde e quando utilizá-la, sem perder a intuição e o olhar crítico que definem o designer.
Conta-nos sobre um projeto que tenha sido a tua maior realização (até agora)
Sem dúvida, a Aura foi a minha maior realização, com a surpresa de ser lançada uma segunda versão e ambas serem bem recebidas em feiras de design, como a Salone del Mobile Milano e a HD Expo + Conference. Foi o meu primeiro grande projeto e lançamento no mercado, uma verdadeira realização pessoal e profissional. Acompanhar a produção, receber feedback profissional e apresentar a peça em feiras mundialmente reconhecidas, foi uma experiência transformadora. Enfrentei desafios reais, fiz compromissos e aprendi imenso, sobre design, mas também sobre mim própria.
Onde te vês daqui a 10 anos?
Gostava muito de trabalhar na área do mobiliário, mas não sei exatamente até onde irei “voar”. O que sei é que quero continuar a crescer, como pessoa e como profissional, com ambição e dedicação. Esta vontade de evoluir é o que me motiva diariamente, será sempre o meu “motor”. Independentemente do caminho, quero continuar a desenhar com propósito, evoluindo e deixando uma marca positiva no quotidiano das pessoas.